E agora uma tripzinha nostálgica ao blues-rock como cosmovisão… Cortesia You Tube.
http://www.youtube.com/watch?v=RxiEMpcI83E&mode=related&search=
http://www.youtube.com/watch?v=bXHJO5rWuCU&mode=related&search
http://www.youtube.com/watch?v=33Jaodra7AY&mode=related&search=
Monday, May 21, 2007
Mercurianas no Distrito de Leiria

Peniche. 11 de Maio. O Festival Mercúrio chega a meio da sua programação. 11 espectáculos – várias salas esgotadas –, oito aulas abertas, uma sessão ao ar livre, tocaram um público de mais de 1 000 pessoas. Até final de Maio, a ESAD continua a ‘dar asas ao Teatro’!
Vários desta centena de jovens actores terão certamente uma palavra a dizer no meio teatral e não só: não havendo muito mais dados, retenha-se a verve do Raimunde, a segurança do João Pedro Santos (que sustenta a segunda metade do Ivanov), a força da Rosa, a polivalência do Daniel Coimbra (do caraicatural André, no Zeck, ao seráfico e lentíssimo Egeu, na Medeia, passando por extrordinário-compère da Rosa num Solo de Pasolini... é obra!), a concentração do Pedro Ribeiro (que sentido Jasão, na Medeia)…
Info 'oficial':
«Mercúrio – Festival Itinerante de Teatro» tem como missão promover a emergente actividade teatral da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, estabelecendo uma ponte entre a comunidade do Ensino Superior e o meio envolvente, proporcionando a abertura de um novo espaço de contacto, debate e fruição artística.
Com a organização do Festival Mercúrio, pretendem a ESAD.CR e a AIDC Associação Inovação Desenvolvimento e Ciência ‘dar asas ao Teatro’, um teatro experimental e contemporâneo, em ambiente de aprendizagem, que aspira a uma vertente social.
DA IMPORTÂNCIA DO MERCÚRIO
É num contexto de profundas alterações, turbulência e até de sensação de abismo perante o desconhecido que se vivem no Ensino Superior que a ESAD.CR propôe a realização do Projecto Mercúrio – Festival Itinerante de Teatro – e a sua implementação sustentada, como expressão regional pública de um projecto educativo com características próprias.
O Festival pretende valorizar algumas das áreas leccionadas na instituição: Animação Cultural e Teatro, e envolver alunos de outros Cursos, nomeadamente Artes Plásticas, Som e Imagem, e Design Gráfico; mas assume esse desígnio num registo de contacto franco com o público, criando, renovando e consolidando hábitos culturais. O Festival Mercúrio é por muitas razões muito mais que um mero projecto de itinerância cultural de uma Escola.
Queremos frisar a importância que este evento tem para uma escola de produção artística no que respeita à sua imagem exterior e à difusão daquilo que ali se faz; a importância de pormos em causa os nossos limites, de criarmos laços de humanidade entre pessoas diferentes, de procurarmos indagar o nosso conhecimento e o dos outros com aquilo que fazemos; a importância que um evento destes pode ter nas portas que está a abrir, na construção de organismos e estruturas que tentam melhorar a vida de todos nós.
Queremos partilhar com todos a importância e a magnitude desse gesto.
Bons espectáculos e melhor reflexão!
João Garcia Miguel e Mário Caeiro, coordenadores
Foto Miguel Nicolau
EVENTOS [27 Abril a 11 Maio]
O desafio era complexo e arriscado: proporcionar aos discentes uma experiência do real, em contexto público. Mais de cem alunos assumiram responsabilidades nas áreas da concepção, da organização, da produção, da comunicação, das relações institucionais [no caso da AC] e da encenação, da representação e da produção executiva [no caso do Teatro]. De muito amor e total entrega, também por parte de docentes e funcionários, nasceu um novo festival no Distrito de Leiria e as primeiras reacções a esta nova família – recolhidas junto do público, dos colegas, de responsáveis autárquicos, são unânimes: a iniciativa tem condições para evoluir e o seu carácter simultaneamente reflexivo e informal, pedagógico e convivial, asseguram-lhe personalidade própria.
Média de assistência:
116 pessoas/espectáculo!
A primeira metade do Mercúrio começou e acabou em Peniche. Cumpriu datas em Leiria [sede do Distrito] e Benedita [Distrito de Alcobaça], lotando várias salas e obtendo um média de público acima das 110 pessoas por espectáculo. Pesem as dificuldades organizativas, relacionadas com a escala do evento e condições e meios disponíveis, – que obrigaram a equipa de produção da Turma do 3.º Ano de AC a desdobrar-se em esforços para que o Festival acontecesse e dentro de custos controlados –, o saldo é ENORMEMENTE POSITIVO, a nível pedagógico, a nível cultural e a nível comunicacional.
Numa palavra, é possível afirmar que o Teatro da ESAD.CR, como forma de Arte de contacto humano, de proximidade, de elogio da palavra, do corpo, da luz e do acontecimento cultural, nas suas múltiplas expressões contemporâneas, naturalmente divergentes e até em concorrência acesa, assegurou um lugar próprio, uma visibilidade que se justifica plenamente. Esta afirmação resulta da constatação da disponibilidade total dos media locais – todas as principais rádios da Região, o jornal de referência das Caldas – para acarinharem um Conceito e um modus operandi capazes de, a curto prazo, darem origem a uma nova Centralidade Cultural. As reacções dos vários públicos confirmam-no de forma eloquente.
CENAS DE MEDEIA
SESSÃO ESPECIAL
Sexta-feira 27 ABRIL, Peniche, Auditório Stella Maris
DIR. DIOGO DÓRIA. 2.º ANO CURSO DE TEATRO
135 espectadores
Idosos oriundos de Instituições de Solidariedade Social do Concelho e arredores, jovens das CERCI de Peniche e Caldas da Rainha. para além de mais público que ali se deslocou de forma individual, tiveram a oportunidade de, no quadro de um evento de conceito inclusivo, ouvir as primeiras palavras ditas no Festival: uma introdução de Diogo Dória à Tragédia Grega e ao texto de Eurípides/Sophia de Mello Breyner Andresen, uma curta ‘aula’ que contextualizou um teatro que cala fundo no Mito, com poder de gerar repercussões directas na nossa cosmovisão, ou não estivessem patentes na peça temas da mais directa actualidade, como a condição da Mulher e o relacionamento com o Outro.
Para os alunos de Teatro, a experiência foi radical: as débeis condições de saúde de parte substancial do público, a irrequitude de muitos e os ruídos permanentes, obrigaram o elenco a um exercício de resistência de que nunca mais se esquecerão. O Mercúrio ‘obrigara’ a produção a acontecer, e esse foi o melhor prémio para todos. Comentário de uma senhora no público, no final: ‘isto que ali aconteceu vale muito dinheiro’. Tragédia Grega, sem concessões, em Terra de Mar, ouvindo-se as gaivotas sobrevoando o espaço físico do teatro. A iniciativa, entendida pelas instituições colaborantes como possibilidade de interacção social, gerou particular motivação junto dos seus clientes, nomeadamente as pessoas com deficiência, de que resultaram trabalhos, comentários e registos de âmbito pedagógico, focados em questões como as da Família ou da relação entre pais e filhos.
Agradecimentos especiais: CERCIPeniche e Câmara Municipal.
CENAS DE MEDEIA
Quinta-feira 3 Maio, Leiria, Auditório IPJ
DIR. DIOGO DÓRIA. 2.º ANO CURSO DE TEATRO
85 espectadores
Já em Leiria, nova apresentação da Medeia, agora com cenários trabalhados pictoricamente [solução plástica desenvolvida pelos actores-artistas]. Novo discurso de contextualização, desta vez por Guilherme Mendonça, e uma sala com as pessoas rendidas, em total silêncio e concentração, aos diálogos entre Medeia e Jasão, às interpelações do Coro. Vários docentes da ESAD.CR [Teresa Fradique, Emídio Guerreiro, Nélson Guerreiro] estiveram presentes. O primeiro espectáculo do Festival em Leiria foi um re-começo com o pé direito, na cidade-sede do Distrito e do IPL.

Zeck, ESAD, Abril 2007 - Foto de Luís Aguiar
ZECK.
Sábado, 5 MAIO, Leiria, Auditório IPJ
UM ESPECTÁCULO DE JOSÉ EDUARDO ROCHA.
FINALISTAS DO CURSO DE TEATRO E ARTISTAS CONVIDADOS.
120 espectadores
Depois da temporada de absoluto sucesso nas Caldas da Rainha, com cerca de 400 espectadores para quatro representações na Sala de Teatro 17 [Black Box], Zeck chegou a Leiria, em versão cinemascope e com condições técnicas melhoradas. Nas palavras de JER, ‘um público de 120 idosos, adultos, jovens e crianças [e até bebés] reagiu, riu, interagiu e aplaudiu do princípio ao fim’.
IVANOV
Quarta-feira, 9 Maio, Benedita,
Centro Cultural Gonçalves Sapinho
DIR. JOÃO GARCIA MIGUEL. 1.º ANO CURSO DE TEATRO
210 espectadores
Para os presentes na Benedita, público, elenco e docentes de Teatro, este foi um acontecimento memorável. Há quatro anos, o primeiro espectáculo dos alunos do 1.º Ano havia sido uma apresentação na Escola com meios técnicos rudimentares; quatro anos depois, os docentes viram os novos alunos de 1.º Ano pisarem um palco de qualidade, num auditório com excelentes condições a todos os níveis, num enquadramento comunicacional excelente. A promoção local do espectáculo – quase ‘porta a porta’ – realizada pelos alunos de Animação, a mobilização de Turmas na ESAD, aliada aos hábitos culturais que já vão sendo criados na Benedita, permiritam a actores que pisaram ali, pela primeira vez, um palco, uma noite electrizante, com direito a regresso para agradeciementos, diante do público de pé. Para os docentes presentes, foi o corolário in loco de quatro anos de afirmação de um Curso.
IVANOV
Sexta-feira, 11 Maio, Peniche, Auditório Stella Maris
DIR. JOÃO GARCIA MIGUEL. 1.º ANO CURSO DE TEATRO
60 espectadores
Aqui, a exiguidade do palco e as más condições acústicas do espaço – voltou a ouvir-se o ruído do café contíguo – voltaram a ser um desafio superado pelos actores, que provocaram no público ‘sentimentos fortes e vivências intensas’, ‘gritos e vozes que mexiam connosco’. Estiveram presentes responsáveis da ESAD.CR, ESTM e da CMP.
ENCONTRO PÚBLICO.
Sexta-feira, 11 Maio, Peniche, Fórum da Parreirinha
PORTO D’HONRA
150 espectadores, + 250 transeuntes
Mais de 250 pessoas passaram pelo Fórum durante o final da tarde e a noite, por casualidade ou curiosas pelo aparato de luz e televisores espalhados pelo ‘palco’ de madeira que domina a pequena praça. Diante de um fundo vermelho vivo, num ambiente quente com a iluminação urbana alterada por filtros vermelhos e as luzes do interior do Centro Cultural contíguo controladas por papel celofane, uma montagem rápida do Making-of do Festival explicitava o espírito da operação.
Cerca de 150 pessoas resistiriam à humidade da noite e, à hora prevista, 00h30, assistiriam a um slide-show de ensaios na ESAD.CR, ao som jazzy da guitarra eléctrica de Miguel Nicolau. O público foi muito diversificado, abrangendo de jovens a partir dos 10-14 anos até aos particiantes de um colóquio que se realizava no próprio Centro Cultural.

Solo Teatral/Ana Rosa, Fórum da Parreirinha, Peniche, 11 Maio 2007 - Foto de Bruna Oliveira
Ah, Rosa Vermelha!
Mas a noite foi da Rosa. Ana Rosa verteu com garra excertos de Orgia de Pasolini, ao lado [em cima…!] de Daniel, o perfeito compère, exemplar no papel de ausente-presente, esteio do brilho e da chama da actriz principal. Saber que este espectáculo foi decidido na véspera às 23h30, quando o próprio presidente da CMP sugeriu – e se houvesse amanhã aqui teatro, era possível…? – na ESAD.CR não apenas se fazem alguns milagres, como mantemos mantemos em aberto a opção de reagir ao tecido social e político de forma imediata e generosa; sem ter naturalmente de se converter em regra, este acontecimento improvisado e preparado num reduzidíssimo espaço de tempo revela todas as potencialidades de uma Escola artística com meios, soluções e gente para todos os desafios.
António José Correia, presidente da Câmara Municipal, assistiu ao evento e discursou, avançando o interesse da CMP na iniciativa. A Câmara excedeu os limites do mero apoio técnico, num sinal de inequívoco envolvimento. No espaço-agora da Parreirinha, aconteceu teatro urbano, mas sobretudo cidadania com criatividade. Estiveram presentes, a dar toda a força necessária, os Directores da ESAD.CR e da ESTM. No final, no palco, actores entretanto chegados do espectáculo da noite, a Turma de Animação, transeuntes e responsáveis autárquicos conviveram informalmente, com direito a improvisações de guitarra eléctrica, de novo pelo Miguel Nicolau.
MERCÚRIO NA RÁDIO
Rádio. Imprensa. Comunicação
Desde o início do Festival somam-se os minutos e páginas de cobertura pelos principais meios de Comunicação Social da Região do Oeste, com destaque para a cobertura do Evento possibilitada pelas ‘1/2 de Teatro’ proporcinadas pela TSF / Rádio Caldas, em horário nobre. Mas também outras rádios como a Rádio IPLay [com sede no IPL e relações estreitas com várias rádios locais], Rádio Batalha, a Rádio da Benedita, a Rádio Litoral Oeste [Óbidos] ou a 102FM Rádio [Peniche], entre outras em Leiria, Porto de Mós, Alcobaça, Marinha Grande, Nazaré, Rio Maior têm convidado responsáveis e elencos para entrevistas e depoimentos, ajudando as audiências a compreender o âmbito escolar da iniciativa e a sua vertente socialmente interventiva.
Na promoção e divulgação do Festival há ainda a destacar o trabalho exemplar da Gazeta das Caldas, que desde a primeira hora acompanha o Programa, com informação actualizada e útil.
CONTACTOS
http://web.esad.ipleiria.pt/mercurio
RESERVAS
teamreservas@mail.esad.ipleiria.pt
Paz, Pao, Habitaçao… 'AS OPERAÇÕES SAAL' EM FILME!

ESTAMOS PRONTOS PARA OUTRA.
As palavras são de Siza, trinta e tal anos depois do 'Processo' que lançou uma brilhante geração de arquitectos. Muito mais que uma nota de rodapé lírica na época do PREC, as Operações SAAL foram uma verdadeiro movimento de cidadania urbana que ensaiou soluções de participação popular na Vida Pública. As memórias e os mitos dos dias em que a Arquitectura esteve realmente perto das pessoas deram recentemente origem ao documentário 'AS OPERAÇÕES SAAL', de João Dias, com produção de Abel Ribeiro Chaves [Bazar do Vídeo]. É mais um Projecto-Memória-30 Anos da Extra]muros[.
A montagem ora truculenta, ora lírica, por um jovem realizador cujo pai esteve no SAAL do Algarve, resultou numa belíssima longa-metragem, que personalidades como Fernando Lopes e João Maria Grilo acarinharam e vão ajudar a lançar – já dia 4 de Junho de 2007, pelas 21h, no Cinema S. Jorge, por ocasião da Antestreia. Lá estarão os arquitectos José Bandeirinha, Nuno Teotónio Pereira, Manuel Vicente, José Neves, o fundamental Nuno Portas, e saber-se-á então que fazer com os sonhos justos em tempos de obscurantismo social. Uma luminosa experiência.
ALGUMA INFORMAÇÃO 'OFICIAL':
Sinopse
Paz, pão, habitação…
As Operações SAAL
é o documentário que faltava para ajudar a compreender as dinâmicas inerentes a um épico momento de encontro transformador, entre o fazer da cidade e os agentes dos movimentos sociais.
À distância de trinta anos, a produção de um documentário exlusivamente dedicado aos factos relacionados com as Operações SAAL propõe a reavaliação de todo o processo, suas metodologias e os resultados obtidos, especialmente no que concerne a complexa relação entre Estado, Habitação, Política e Projecto Urbano.
Introdução
‘A HABITAÇÃO É UM PROBLEMA SOCIAL,
LOGO DEVE SER UM PROBLEMA DA SOCIEDADE.’
As operações SAAL [Serviço Ambulatório de Apoio Local] foram durante um curto período após o 25 de Abril de 74, uma intensa experiência de democracia e intervenção participativas no domínio da habitação social. Ainda hoje continua a constituir uma referência para os Estudos Urbanos, pela forma como envolveu arquitectos, engenheiros, juristas, geógrafos, sociólogos e, sobretudo, os próprios moradores de bairros degradados, num esforço associativo para lutar por uma habitação condigna e pelo direito à cidade.
Trinta anos depois as memórias e as vivências das gerações seguintes ajudam a entender as repercussões sociais, culturais e urbanas desta mítica acção colectiva e multidisciplinar em que fazer a Cidade correspondeu a fazer justiça.
Objectivos do Projecto
‘NÃO DEVE HAVER CASAS SEM GENTE
ENQUANTO HOUVER GENTE SEM CASA’
Trinta anos depois da curta experiência de democracia participativa que se sucedeu ao golpe militar de 25 de Abril de 74, surgia no nosso país uma iniciativa de intervenção no domínio das políticas urbanas de habitação, a qual deixaria marcas na vida e na memória colectiva, tal como nas estruturas do poder.
As operações SAAL. Tuteladas pelo MFA [Movimento das Forças Armadas], envolveram arquitectos, engenheiros, ,juristas, geógrafos e sobretudo os próprios moradores de bairros degradados num esforço associativo no âmbito do qual foram criadas comissões para lutar por uma habitação condigna, «o direito ao lugar» e, implicitamente, uma sociedade mais justa.
Durante um curto momento em que convergiram as novas formas de intervenção estatal e lutas populares pelo direito a casas condignas, as operações SAAL destacaram-se pela sua importância exemplaridade e solidariedade.
Trinta anos depois, as memórias filmadas dos actores destes processos ajudam a reconstituir o período em que um esforço conjunto envolveu o Estado, intelectuais e movimentos populares na promoção de direitos sociais novos e na melhoria imediata das condições de vida das populações mais desprotegidas.
Wednesday, February 14, 2007
Neil Young em 71

Um aperitivo em…
http://www.neilyoung.com/archives/masseyhall/masseypromo_qt.html
Clássicos, os trapos.
On The Way Home
Tell Me Why
Old Man
Journey Through The Past
Helpless
Love In Mind
A Man Needs A Maid/Heart of Gold Suite
Cowgirl In The Sand
Don't Let It Bring You Down
There's a World
Bad Fog Of Loneliness
The Needle And The Damage Done
Ohio
See The Sky About To Rain
Down By The River
Dance Dance Dance
I Am A Child
Ao vivo e a solo, a estrela 'inoxidável', como lhe chamou a rock&folk há duas décadas, nesta altura ainda mais reluzente. E depois o tom da imagem 'à seventies'…
Comentário do artista: This is the album that should have come out between After the Gold Rush and Harvest. David Briggs, my producer, was adamant that this should be the record, but I was very excited about the takes we got on Harvest and wanted Harvest out. David disagreed. As I listen to this today, I can see why. Love you, David. NY
Mais em:
http://www.neilyoung.com/
Wednesday, February 7, 2007
Cultura. Dante[s].
Entrevista dada ao Jornal O GLOBO por 'Marcola', líder dos "gangs" brasileiros que puseram recentemente S. Paulo a ferro e fogo
- Coluna: Arnaldo Jabor
- "Você é do PCC?"
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias. A solução que nunca vinha... Que fizeram ? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...
- Mas... A solução seria...
- Solução? Não há mais solução, cara... A própria ideia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento económico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até Conference Calls entre presídios...) E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
- Você não têm medo de morrer?
- Você é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... Mas eu posso mandar matar vocês lá fora... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala... Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... Mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, Internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
- O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... Ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
- Mas o que devemos fazer?
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... Pra acabar com a gente, só jogando bomba atómica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo... Já pensou? Ipanema radioativa?
- Mas... não haveria solução?
- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa... na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogni speranza voi che entrate!" - Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno. "
- Coluna: Arnaldo Jabor
- "Você é do PCC?"
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias. A solução que nunca vinha... Que fizeram ? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...
- Mas... A solução seria...
- Solução? Não há mais solução, cara... A própria ideia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento económico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até Conference Calls entre presídios...) E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
- Você não têm medo de morrer?
- Você é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... Mas eu posso mandar matar vocês lá fora... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala... Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... Mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, Internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
- O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... Ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
- Mas o que devemos fazer?
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... Pra acabar com a gente, só jogando bomba atómica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo... Já pensou? Ipanema radioativa?
- Mas... não haveria solução?
- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa... na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogni speranza voi che entrate!" - Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno. "
Tuesday, February 6, 2007
Watcher of the... stage!




Em Setembro de 1972 foi lançado o quarto álbum dos Genesis, Foxtrot. A banda já tinha excelente reputação pelas suas actuações ao vivo com Peter Gabriel, protagonista de aparições em palco com o cabelo semi-rapado e vestes egípcias. Watcher of the Skies era a partir daí um tema-matriz do progressivo, Supper's Ready un tour-de-force desconcertante…
Foi por esta altura que Paul Conroy, da Charisma Records, sugeriu que alguém usasse a personagem egípcia em palco para promover o novo álbum; Peter Gabriel decidiu fazê-lo no concerto de Dublin, em 28 de Setembro de 1972, deixando o público perplexo. Foi também em 1972 que os Genesis actuaram pela primeira vez nos Estados Unidos, em Dezembro, nas cidades de Boston e Nova York. No ano de 1973, actuaram com sucesso em França, Itália e Alemanha; entretanto com a cobertura entusiástica nas primeiras páginas da imprensa musical, era preparada a tournée por Inglaterra.
O concerto de 9 de Fevereiro de 1973, no prestigiado Rainbow Theatre de Londres, mudou tudo para a banda.
Nesta altura, Adrian Selby, que era o designer da iluminação, teve a ideia de utilizar uma cortina branca como fundo do palco, por forma a esconder equipamento; usou também instrumentos brancos e equipamento de palco todo branco. Aplicou luz negra na iluminação - o que tornou a cortina completamente opaca - e assim criou uma atmosfera surrealista e única.
O primeira das inúmeras 'viagens' que os Genesis proporcionariam aos seus fãs
Foi no concerto britânico de 73 que a cabeça de raposa de espectáculos anteriores [no tema The Musical Box] foi substituída por novas máscaras e um guarda-roupa sempre em renovação, o qual se tornaria em imagem de marca da banda. Foi uma noite memorável. Depois dessa triunfal tournée britânica, a banda regressaria em Março e Abril aos Estados Unidos, fazendo mais alguns concertos novamente em França e na Bélgica. Cada vez mais, o processo artístico partia da ideia inovadora de combinar música e actuação teatral. No total, foram realizados 30 concertos da fase 'branca' dos Genesis. O disco Live, editado em Julho de 1973, é o testemunho deste período.
Aula Magna 2007
Este ano [2007], por sortilégio da vontade, da técnica e de uma paixão científica retro, volta a ser possível ao público [fãs e não-fãs] ver em Portugal um espectáculo que recria em rigor os espectáculos dos Genesis dos inícios dos anos 70 [não apenas a tournée de Foxtrot, mas também a de Selling England by the Pound]. THE MUSICAL BOX não é memorabilia kitsch nem nostalgia, é um projecto de museologia rock, feito por canadianos hiper-profissionais, que reconstituem as coisas com meticulosa precisão [e o apoio e autorização expressos pelos 'verdadeiros' Genesis]. Por absurdo, os espectáculos que aqui se referem são tão importantes como os originais – porque tal como tempo não se repete, o tempo 'repetido' também não…
Vejam-se as imagens… e procure-se as diferenças entre reconstituição e original! Para amantes do Tempo, da Arte, do Rock, da Luz, do Design de Cena, de Vigilantes dos Céus de carapuços geométricos e idiosincrasias outras que não cabem num blogue.
Toda a info:
http://www.themusicalbox.net/
http://jdo-productions.com/THE_MUSICAL_BOX_INTRO.htm
DVD sobre os Genesis e a sua passagem por Portugal:
http://webserver.cm-lisboa.pt/fonoteca/cgi-bin/info3.pl?20673&CD&0
Sunday, February 4, 2007
Richi Ferrero, amici in Torino


Richi Ferrero é um artista prometaico, pleno e festivo, nobre e presente, generoso e compacto. As suas intervenções urbanas em Turim, recorrendo a meios espectaculares mas sem perder o contacto com o sensível, permitem falar de uma 'fantasia urbana', ou como ele próprio designa numa edição de síntese da sua carreira, de um GRAN TEATRO URBANO. É amigo e companheiro de trabalho de muitos grandes da Arte Povera – movimento imerecidamente esquecido na curva do Poder, onde pontificaram Pistoletto, Merz, Anselmo… e Richi oferece uma espécie de contraponto mais teatral, cenográfico, performativo, dessa geração de mestres da Arte Contemporânea. Nenhuma cidade portuguesa ainda o conhece, mas é a altura de isso acontecer. Nas imagens, duas esculturas recentes, cada a uma dialogando com o espaço urbano de forma simultaneamente singela e poderosa. No site, uma panóplia de soluções artificiosas são exemplos de como fazer arte urbana espectacular e sensível, simultaneamente. www.richiferrero.it
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